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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Associações de linguistas manifestam apoio ao livro "Por uma Vida Melhor" Imprimir E-mail
     
           A Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e a Associação de Linguística Aplicada do Brasil (Alab) publicaram nesta sexta-feira, 20, nota pública em que condenam a cobertura de veículos de imprensa sobre livro Por uma vida melhor.

           A Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e a Associação de Linguística Aplicada do Brasil (Alab) publicaram nesta sexta-feira, 20, nota pública em que condenam a cobertura de jornalistas e veículos de imprensa que apresentaram a proposta de ensino de língua contida no livro “Por uma vida melhor”, da Coleção Viver, Aprender, como contendo “erros” gramaticais. As associações também corroboram com a versão, já apresentada por alguns linguistas que defendem a proposta do livro, de que é preciso ensinar a norma culta sem desprezar as outras variantes linguísticas usadas pelos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), aos quais o livro é destinado.

            Na nota da Abrali, intitulada Língua e Ignorância, a entidade questiona o fato de não ter sido perguntada a respeito do livro (o que seria caminho natural, tendo em vista, sua expertise no assunto). Além disso, dentre os questionamentos realizados pela entidade está o fato de a cobertura jornalística ter se pautado em frases pinçadas do livro e descontextualizadas da proposta de ensino nele contida. “As críticas se pautaram sempre nas cinco ou seis linhas largamente citadas”, diz a nota.

           A entidade também questiona o fato de os meios de comunicação terem publicado comentários de críticos que nem sequer tiveram o trabalho de ler e analisar a publicação. Assim, vale destacar, conforme o trecho da nota da Abralin “que o livro acata orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) em relação à concepção de língua/linguagem, orientações que já estão em andamento há mais de uma década. Além disso, não somente este, mas outros livros didáticos englobam a discussão da variação linguística com o intuito de ressaltar o papel e a importância da norma culta no mundo letrado”.

           Já ALAB, também em nota cujo título é Polêmica em relação a erros gramaticais em livro didático de Língua Portuguesa revela incompreensão da imprensa e população sobre a atuação do estudioso da linguagem, denuncia a falta de compreensão dos jornalistas quanto ao trabalho dos pesquisadores que se debruçam sobre o estudo dos usos situados da linguagem. Dessa forma, a ALAB compreende que houve, por parte da mídia, e consequentemente, da população, um entendimento deturpado da proposta de ensino contida no livro. Assim, diz a nota:

           “Tal deturpação ressalta um problema sério de leitura, muito provavelmente decorrente da prática cristalizada historicamente de se ensinar a gramática pela gramática, de forma abstrata e não situada. Pois, ao situar e inscrever as frases incorretas responsáveis por tanto desconforto no contexto concreto em que foram enunciadas, fica clara a intenção da autora de mostrar que precisamos adequar a linguagem ao contexto e optar pela variante mais adequada à situação de comunicação, preceito básico para participação nas diversas práticas letradas em que nos engajamos no mundo social.”


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